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4 de maio de 2010

Léa Campos, primeira juíza de futebol do mundo

Na olimpíadas de Sydnei, realizadas em 2000, o Brasil levou pela primeira vez uma delegação esportiva com o mesmo número de atletas mulheres e homens. Sabem porque? Havia um time de futebol feminino mostrando a transformação ocorrida definitivamente neste esporte, até muito pouco tempo considerado "coisa de homem".
Embora tenham terminado a copa em terceiro lugar, elas honraram um caminho aberto por Asaléa de Campos, mais conhecida como Léa Campos, primeira juíza de futebol do mundo.
Mineira, nascida em 1945 em Belo Horizonte e formada em Educação Física pela Universidade de Brasília, Léa Campos se apaixonou por futebol quando estava ainda na escola secundária, tornando-se centroavante de um time de meninas.
Longe de ser masculinizada, foi Miss Belo Horizonte e dos Ex-combatentes antes de se dedicar à bola. Deixando a faixa de miss na gaveta, tornou-se jornalista esportiva nas rádios mineiras e relações públicas do Cruzeiro. Sua carreira de árbitro começou em 1967, quando passou oito meses na escola de árbitros da Federação Mineira de Futebol.
No entanto, só em 1971 seu diploma foi reconhecido pela FIFA. Como na época era comum dizer que a mulher tinha uma estrutura óssea inferior à masculina, Lea encontrou muitas dificuldades pela frente até conseguir legalizar o seu diploma, inclusive a oposição direta de João Havelange, que publicamente se dizia contrário à presença feminina no futebol.
Durante três anos teve não somente que apelar ao presidente da República, como ainda submeter-se a exames e testes, a fim de provar que apesar de ser mulher, tinha condições.
Conquistada a etapa legal, Léa apitou jogos em gramados de quase todos os estados brasileiros, menos em São Paulo - na época, a Federação Paulista considerava ilegal o exercício da função de juiz por uma mulher.
Ganhando cada vez mais espaço, foi para a Copa Mundial de Futebol Feminino no México, representando o Brasil no apito.
Sua carreira foi vitoriosa, Apitou centenas de partidas na Europa e nas três Américas, sem nunca receber reclamações pelas suas arbitragens.
Por causa de um problema nos joelhos, afastou-se dos gramados e pasmem, virou lutadora livre e boxista, diplomando-se pela Federação Mineira de Pugilismo.
Atualmente, ela ensina futebol para mulheres nos Estados Unidos e é cronista esportiva dos jornais Gol Internacional e Noticiero Colombiano de Nova York.
Considerarmos que desde o século XIX as inglesas chutam a bola, podemos dizer que apesar de ter dado muita lição ao mundo, faltava ao Brasil encarar o poder feminino neste esporte. Foram quase cem anos de discriminação às mulheres apaixonadas por futebol.
A coisa era tão séria que o futebol feminino no Brasil foi durante muitos anos considerado ilegal.
O primeiro veto à sua prática aconteceu em 1940 e foi assinado pelo então presidente Getúlio Vargas.
Depois, com a Deliberação 7/65, da Confederação Nacional de Desportos, publicada em 2 de agosto de 1965, proibiu-se às mulheres não só jogar futebol, de campo, salão ou praia, bem como a prática de lutas de qualquer natureza, pólo e pólo aquático, rugby, halterofilismo e baseball.
Somente em 1991, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) criou a Seleção Brasileira de Futebol Feminino, que chegaria em 3º lugar no 1º Torneio Mundial, realizado na China.
Depois, na Olimpíada de Atlanta, conquista o inédito quarto lugar, um dos maiores feitos da categoria para o futebol brasileiro, repetido na Olimpíada de Sidney, em 2000. Hoje, existem 50 mulheres nos quadros da CBF e, delas, apenas quatro pertencem também à FIFA.
Se considerarmos que, nos campos de futebol, a mulher ainda não conseguiu dar o apito final da igualdade, Asaléa de Campos merece todos os louros do mundo, por ter garantido pioneiramente o direito feminino de fazer cumprir as regras no gramado

Fonte: Bolsademulher.com
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